Os sapatos santiagueros
- 10 de abr. de 2017
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Foi em Santiago de Cuba.
Sentada à porta de casa, estava uma velha senhora com o seu rosto virado para o chão e este par de sapatos. Olhei para ela e para os sapatos. Logo ela disse: "Compre-mos, eu vendo baratinhos." "Minha senhora, desculpe-me, mas o que eu poderia fazer com sapatos velhos?" "O que você não sabe ... mas se soubesse o que eu fiz com eles ..." "Pode-me contar? O que foi que fez? " "Eu dancei. Eu dancei com meu marido (que Deus o tenha). Dancei muitas, muitas tardes de domingo e noites de sábado. E também em casa, e no quintal, e na casa de amigos. Anos e anos. Eu dancei com eles. Com meus sapatos tão bonitos. " "E agora, porque quer vender?" "Meu filho, então, porque não tenho nada para comer." "Uau! Bem ... tudo bem. Eu vou comprar. Mas ... não vai ter pena de se desfazer deles? " "Sim ... é claro que vou ... e muito!! Mas ... não tenho solução? Como as coisas estão agora, o meu marido morreu e já não tenho que chegue, já nada me chega. " "Não diga mais nada. Aqui tem o dinheiro, eu levo os sapatos que tantas vezes dançaram nos seus pés. " "Senhor, pense novamente ... deu-me dinheiro a mais ... não valem tanto." "Não se preocupe. Bom Dia." E eu continuei andando. Com a câmara sobre os ombros e o saco de plástico dos seus sapatos.
Fui visitar um amigo que morava no mesmo bairro. Nós conversamos e rimos. Depois de um tempo pedi-lhe para me deixar ir ao seu pátio. Lá tirei esta fotografia, sapatos velhos (provavelmente da época de Batista) fotografados no mosaico de uma antiga casa colonial Santiaguera.
Ao voltar passei em frente da casa da senhora. Não estava. Ela tinha retirado o banco e fechou a porta. Liguei, mas ninguém respondeu. Terá ido fazer as compras com o dinheiro que lhe dei, foi o que pensei.
Então subi ao tronco de uma árvore morta e atirei o saco com os sapatos dentro ao ar. Descrevendo uma parábola, os sapatos santiagueros caíram no jardim da senhora. E assim, eu fiquei feliz, sabendo que voltaram para a casa da sua única proprietária possível. Pepe Navarro





















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